E3 - Design de Segmentação (VLANs e DHCP)¶
Data de Entrega: 07/11 (Sexta-feira)
Critério Principal: Lógica e Funcionalidade — a estratégia de DHCP deve ser funcional e as portas trunk devem suportar todas as VLANs.
Prática no Packet Tracer¶
Parte 0: Ativar a conexão do roteador¶
Por padrão, as portas de um roteador Cisco vêm administrativamente desligadas (shutdown). É preciso ligá-las manualmente.
Clique no R-CIN → aba CLI.
Router# configure terminal
# Entre na interface física PRINCIPAL (não na sub-interface)
Router(config)# interface GigabitEthernet0/0
# Execute o comando para LIGAR a porta
Router(config-if)# no shutdown
# Saia e salve
Router(config-if)# end
Router# copy running-config startup-config
Parte 1 e 2: Criação e Nomeação de VLANs¶
O objetivo aqui é criar as "redes virtuais" que irão segmentar os laboratórios. Essa configuração deve ser feita tanto no Switch Core quanto nos Switches de Acesso.
Comandos Úteis¶
vlan <ID>— cria uma VLAN com o número de identificação (ID) especificado, ou entra no modo de configuração dessa VLAN se ela já existir.name <NOME_DA_VLAN>— atribui um nome descritivo à VLAN em configuração. É boa prática usar nomes que identifiquem sua finalidade (ex:LAB_ENGENHARIAouVLAN10_LAB1).
Dica Importante
A organização é fundamental. Certifique-se de que os IDs e nomes das VLANs sejam consistentes em todos os switches, para facilitar o gerenciamento.
Comando de Verificação¶
show vlan brief— exibe uma tabela com todas as VLANs criadas no switch, seus nomes e quais portas estão associadas a elas. Use para confirmar que as VLANs foram criadas corretamente.
Parte 3: Configuração de Portas Trunk¶
Comandos Úteis (Switch Core — Layer 3)¶
interface <tipo_e_numero>ouinterface range <tipo_e_intervalo>— entra no modo de configuração de uma porta específica (ex:GigabitEthernet0/1) ou de um intervalo de portas (ex:FastEthernet0/1 - 7).switchport trunk encapsulation dot1q— define o protocolo de encapsulamento usado para "etiquetar" o tráfego das VLANs. Obrigatório em switches Layer 3, como o 3560, antes de ativar o modo trunk.switchport mode trunk— ativa o modo de operação trunk na porta selecionada.
Comandos Úteis (Switches de Acesso — Layer 2)¶
Nos switches de acesso (modelo 2960), geralmente o comando switchport trunk encapsulation dot1q não é necessário, pois eles só suportam esse protocolo. Pode-se usar diretamente switchport mode trunk.
Comando de Verificação¶
show interfaces trunk— mostra a lista de todas as portas operando em modo trunk, seu status e quais VLANs estão autorizadas a passar por elas. Essencial para verificar se as "autoestradas" estão funcionando.
Parte 4: Configuração de Portas de Acesso¶
Comandos Úteis¶
switchport mode access— configura a porta para operar em modo de acesso.switchport access vlan <ID>— associa a porta de acesso à VLAN especificada. Todo o tráfego que entrar ou sair por essa porta pertencerá a essa VLAN.
Parte 5: Configuração de DHCP e Roteamento no Roteador¶
O objetivo é fazer com que o roteador (R-CIN) gerencie a comunicação entre as diferentes VLANs (roteamento Inter-VLAN) e distribua endereços IP automaticamente para os PCs (serviço DHCP).
Etapa A: Criar os Gateways (Router-on-a-Stick)¶
O roteador precisa de uma "porta" virtual para cada VLAN — essas são as sub-interfaces.
interface <tipo_e_numero>.<ID_DA_VLAN>— cria uma sub-interface virtual. O número após o ponto deve corresponder ao ID da VLAN, para manter a organização (ex:interface GigabitEthernet0/0.10para a VLAN 10).encapsulation dot1Q <ID_DA_VLAN>— vincula a sub-interface à VLAN correspondente. É assim que o roteador sabe qual tráfego pertence a qual sub-interface.ip address <IP_DO_GATEWAY> <MASCARA>— atribui o endereço IP de gateway para aquela sub-rede/VLAN. Esse é o endereço que os PCs usarão para se comunicar com outras redes.
Etapa B: Configurar o Serviço DHCP¶
ip dhcp excluded-address <IP_A_EXCLUIR>— impede que o servidor DHCP distribua um endereço específico. Use para reservar os endereços dos gateways configurados na Etapa A.ip dhcp pool <NOME_DO_POOL>— cria um "conjunto" de configurações DHCP com um nome descritivo (ex:POOL_LAB1).network <ENDERECO_DA_REDE> <MASCARA>— define a faixa de endereços IP que esse pool pode distribuir.default-router <IP_DO_GATEWAY>— informa aos clientes DHCP qual é o endereço do gateway padrão da rede.dns-server <IP_DO_DNS>— informa aos clientes qual servidor DNS devem usar. Conforme solicitado, utilize o endereço8.8.8.8(DNS público do Google).
Documentação para o Relatório¶
| VLAN ID | Nome da VLAN | Sub-rede IP | Gateway (R-CIN) | Switch(es) de Acesso | Portas de Acesso |
|---|---|---|---|---|---|
| VLAN 10 | LAB01 | 172.20.3.0 /26 | 172.20.3.1 | Sw-Acesso-Lab1-A / Sw-Acesso-Lab1-B | Fa0/1 - Fa0/24 (em ambos os switches) |
| VLAN 20 | LAB02 | 172.20.3.64 /27 | 172.20.3.65 | Sw-Acesso-Lab2-A / Sw-Acesso-Lab2-B | Fa0/1 - Fa0/24 (em ambos os switches) |
| VLAN 30 | LAB03 | 172.20.3.96 /27 | 172.20.3.97 | Sw-Acesso-Lab3 | Fa0/1 - Fa0/20 |
| VLAN 40 | LAB04 | 172.20.3.128 /27 | 172.20.3.129 | Sw-Acesso-Lab4 | Fa0/1 - Fa0/20 |
| VLAN 50 | LAB05 | 172.20.3.160 /27 | 172.20.3.161 | Sw-Acesso-Lab5 | Fa0/1 - Fa0/15 |
Portas Trunk configuradas:
- Switch Core: Fa0/1-5 (→ Switches de Acesso) + Gi0/1 (→ Roteador)
- Cada Switch de Acesso: Gi0/1 (→ Switch Core)
Comandos de Verificação (devem estar presentes no relatório)¶
Use estes comandos para validar as configurações:
Ver VLANs criadas (switch):
Ver portas trunk (switch):
Ver pools de DHCP no roteador (R-CIN):
Passo Final: Testando a Configuração (deve estar presente no relatório)¶
- Vá para qualquer PC em qualquer laboratório (ex:
PC-Lab1-01). - Clique no PC.
- Vá para a aba Desktop.
- Clique em IP Configuration.
- Selecione a opção DHCP.
Aguarde alguns segundos. Se tudo foi configurado corretamente, aparecerá "DHCP request successful" e o PC receberá endereço IP, máscara de sub-rede, gateway e servidor DNS da sua respectiva sub-rede.
- Um PC no Lab 1 deve receber um IP como
172.20.X.2. - Um PC no Lab 2 deve receber um IP como
172.20.X.66. - E assim por diante.
Depois de verificar que os PCs estão recebendo IPs, tente pingar de um PC em uma VLAN para um PC em outra VLAN, confirmando que o roteamento Inter-VLAN está funcionando. Por exemplo, do PC no Lab 1, abra o Command Prompt e digite ping 172.20.X.5. O primeiro ping pode falhar (devido ao processo ARP), mas os seguintes devem funcionar.
Conceitos Essenciais: Portas de Acesso vs. Trunk¶
Portas de Acesso (Access Ports)¶
- Pertencem a uma única VLAN.
- Conectam dispositivos finais (PCs, servidores).
- Tráfego não etiquetado (untagged).
- No projeto: portas onde os PCs dos laboratórios se conectam.
Exemplo: um PC conectado à porta Fa0/5 de um switch configurado para VLAN 10 só enxerga a VLAN 10.
Portas Trunk (Trunk Ports)¶
- Transportam tráfego de múltiplas VLANs simultaneamente.
- Conectam switches a switches ou switches a roteadores.
- Tráfego etiquetado, usando o protocolo IEEE 802.1Q.
- No projeto: conexões entre switches de acesso e switch core, e entre switch core e roteador.
Exemplo: a conexão entre Switch-Acesso-Lab1 e Switch-Core transporta tráfego das VLANs 10, 20, 30, 40 e 50.
Fundamentos Teóricos¶
O que são VLANs?¶
VLAN (Virtual Local Area Network) é uma tecnologia que permite criar redes lógicas separadas dentro da mesma infraestrutura física.
Analogia
Imagine um prédio com vários apartamentos. Embora compartilhem a mesma estrutura física, cada apartamento é privado e isolado — VLANs funcionam assim na rede.
Benefícios das VLANs:
- Segurança: isola o tráfego entre departamentos/grupos.
- Performance: reduz domínios de broadcast (menos tráfego desnecessário).
- Organização: agrupa logicamente dispositivos, independentemente da localização física.
- Economia: não é preciso usar switches separados para cada grupo.
No projeto do CIn: cada laboratório é uma VLAN separada — Lab 1 → VLAN 10, Lab 2 → VLAN 20, Lab 3 → VLAN 30, Lab 4 → VLAN 40, Lab 5 → VLAN 50.
O que é DHCP?¶
DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol) automatiza a configuração de rede dos dispositivos.
Sem DHCP, seria preciso configurar manualmente IP, máscara, gateway e DNS em cada PC — com alto risco de erros e conflitos de IP, e muito trabalho em redes grandes. Com DHCP, o PC liga, solicita a configuração, o servidor responde com todas as informações, e a configuração acontece automaticamente, sem erros.
Funcionamento (processo DORA):
- Discover: o PC envia um broadcast — "preciso de um IP!".
- Offer: o servidor DHCP oferece um IP disponível.
- Request: o PC aceita a oferta.
- Ack: o servidor confirma e reserva o IP.
Relação entre VLANs, Sub-redes e DHCP¶
É crucial entender como esses três conceitos se conectam:
- VLAN (Camada 2 — Enlace): cria isolamento lógico usando tags em quadros Ethernet.
- Sub-rede IP (Camada 3 — Rede): define o espaço de endereçamento (calculado na E2).
- Gateway (Camada 3): porta de saída da VLAN/sub-rede para outras redes.
- DHCP: serviço que automatiza a entrega das configurações (IP, máscara, gateway).
Exemplo integrado:
- O PC está na VLAN 10 (tag 802.1Q).
- A VLAN 10 usa a sub-rede
172.20.X.0/24. - O gateway da VLAN 10 é
172.20.X.1. - O pool DHCP para a VLAN 10 vai de
172.20.X.2até172.20.X.62. - O PC recebe automaticamente: IP do pool, máscara /24, gateway
.1.
Dicas e Erros Comuns¶
| Erro comum | Solução |
|---|---|
| VLAN não aparece no switch de acesso | Certifique-se de criar a VLAN em todos os switches |
| Trunk não funciona | Verifique se ambas as pontas da conexão estão configuradas como trunk |
| DHCP ainda não funciona | Normal nesta etapa — o DHCP só funcionará por completo após criar as sub-interfaces na E4 |
| Esqueceu de excluir o IP de gateway | O gateway não pode ser distribuído pelo pool; sempre exclua antes de criar o pool |
Dicas
- Use nomes descritivos para VLANs — ajuda na documentação e no troubleshooting.
- Documente todas as portas trunk e access — você precisará disso na apresentação final.
- O comando
interface rangeeconomiza tempo ao configurar múltiplas portas de uma vez.
Próxima etapa: com VLANs e DHCP configurados, você implementará o roteamento Inter-VLAN para permitir comunicação entre os laboratórios (E4).