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METODOLOGIA E EXPRESSÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA


Metodologia

A palavra "metodologia" vem do grego: meta ("ao largo"), odos ("caminho") e logia ("estudo") — literalmente, o estudo do caminho para chegarmos a um objetivo. Em sentido mais formal, é o conjunto de procedimentos que pode ser utilizado na aquisição sistemática de conhecimento.

Técnicas de Estudo

Antes de entrar na metodologia científica propriamente, vale revisar o que a ciência cognitiva diz sobre como estudar de forma eficaz — algo diretamente relevante para qualquer trabalho acadêmico.

Métodos ineficazes

  • Reler e grifar: técnicas passivas, criticadas por darem uma falsa sensação de domínio sobre o conteúdo. O estudante pode reconhecer o texto, mas isso não garante que consiga explicá-lo com as próprias palavras — o que leva ao esquecimento rápido.
  • Estudar na véspera (cramming): embora possa render uma nota satisfatória no curto prazo, essa tática não cria memórias duradouras. O cérebro precisa de tempo para fortalecer as conexões neurais do aprendizado, o que não ocorre em uma única sessão intensa.
  • Estudar com distrações: tentar estudar enquanto se divide a atenção com aplicativos (WhatsApp, TikTok) é um desperdício de esforço — o simples ato de trocar de contexto consome tempo e energia mental.

Métodos eficazes (aprendizado ativo)

  • Prática ativa: em vez de reler, o aluno deve focar no "aprendizado ativo", o que inclui criar perguntas ou quizzes para si mesmo, explicar o conteúdo em voz alta com as próprias palavras, encontrar exemplos concretos para conceitos abstratos, e anotar o passo a passo de problemas (ex: em matemática).
  • Estudo espaçado: em vez de maratonas de estudo, é mais produtivo dividir o estudo em sessões curtas e diárias ao longo de vários dias — isso facilita a retenção de longo prazo e melhora a concentração.
  • Técnica Pomodoro (gestão de foco): para combater distrações, sugere-se usar blocos de estudo focado (ex: 35 minutos) sem interrupções, seguidos por uma pequena pausa de recompensa (ex: 5 minutos para checar mensagens).

Tipos de Conhecimento

Conhecimento Empírico

Também chamado de vulgar, intuitivo, de senso comum ou ordinário, é superficial e surge por informação ou experiência casual — constituindo, na prática, a maior parte do conhecimento acumulado por um ser humano no dia a dia. Nele, o sujeito é um expectador passivo: é um conhecimento essencialmente vivencial.

Suas características centrais são:

  • Linguagem vaga: o significado dos termos depende fortemente do contexto, e é difícil determinar o que se encaixa e o que escapa de sua significação.
  • Ametódico e assistemático: elaborado de forma instantânea e instintiva, sem método explícito.
  • Objetividade limitada: muito ligado à vivência, à ação e à percepção. É útil e eficaz para lidar com a rotina, mas se torna impreciso ou incoerente fora dela, admitindo muitas interpretações possíveis. É subordinado a um envolvimento afetivo do sujeito, e tem incapacidade de se submeter a uma crítica sistemática e imparcial.

Conhecimento Científico

Baseado em fatos, experimentações e observações, está sempre sujeito a novas teorias e reformulações. Assume que a razão é a única fonte legítima de conhecimento, e surge da necessidade de descobrir princípios explicativos para os fenômenos. É crítico, genérico, busca as causas dos fenômenos e divulga seus resultados — é, nesse sentido, intersubjetivo.

O método científico é o conjunto de passos a serem seguidos ordenadamente na busca da verdade, com três funções: conduzir à descoberta, permitir demonstração e prova, e permitir a verificação do conhecimento produzido.

Conhecimento Teológico

Compartilha o mesmo objeto de estudo dos outros tipos de conhecimento, mas é valorativo, inspiracional, infalível, exato, sistemático e não verificável — e exige autoridade divina como fonte última.

Conhecimento Filosófico

Também compartilha o mesmo objeto das outras ciências, mas com finalidades diferentes: o filósofo é literalmente o "amigo da sabedoria", e a filosofia é o esforço da razão para questionar os problemas humanos e discernir entre o certo e o errado. É valorativo, não verificável, racional, sistemático, infalível e exato.

Comparando os quatro tipos de conhecimento

Senso Comum Científico Filosófico Teológico
Valorativo Factual Valorativo Valorativo
Reflexivo Contingente Racional Inspiracional
Assistemático Sistemático Sistemático Sistemático
Subjetivo Verificável Não Verificável Não Verificável
Verificável Falível Infalível Infalível
Falível Aproximadamente Exato Exato Exato
Inexato

O mapa conceitual abaixo situa esses quatro tipos como ramificações de um único "conhecimento": o filosófico nasce do raciocínio e da reflexão, gerando conceitos subjetivos; o empírico (senso comum) é obtido de ações não planejadas; o teológico se origina da crença e da fé, dependente de crenças individuais e da formação moral, e não está sujeito a negação ou confirmação; já o científico decorre do conhecimento sistemático, sujeito à natureza e à comprovação, com base na metodologia científica.

Mapas de referência (tabela e diagrama originais)

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Ciência

Ciência é a atividade que propõe a aquisição sistemática de conhecimento sobre a natureza biológica, social e tecnológica. Toda ciência possui um objetivo, uma função (utilidade) e objetos de estudo — material (o que se pretende estudar) e formal (o enfoque especial dado a esse estudo). Uma ciência é reconhecida por critérios de organização, método e confiabilidade em seu corpo de conhecimentos.

O conhecimento científico é:

  • Objetivo: busca estruturas universais.
  • Quantitativo: busca medidas e padrões.
  • Homogêneo: busca leis gerais de funcionamento.
  • Generalizador: reúne coisas percebidas como diferentes sob leis semelhantes.

Validade do trabalho científico: para que um trabalho tenha validade científica, é necessário que ele se enquadre na ciência (utilizando o método científico) e que tenha finalidade científica (produzindo um resultado verificável) — a combinação dessas duas condições é o que gera uma contribuição científica legítima.

Diagrama de referência

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Método Científico

É o conjunto de regras e procedimentos que guiam a pesquisa e a obtenção de conhecimento confiável, baseado na observação, na formulação de hipóteses testáveis e na experimentação. O objetivo central é eliminar a subjetividade, garantindo que as conclusões sejam o mais objetivas possível.

Método Indutivo

O observador chega a uma lei geral por meio da observação de muitos exemplos particulares.

  1. Observação sistemática dos fenômenos.
  2. Elaboração de classificações a partir da descoberta de relações entre os fenômenos observados.
  3. Construção de hipóteses (tentativas de explicação) dessas relações.
  4. Verificação das hipóteses.
  5. Construção de generalizações a partir dos resultados.
  6. Confirmação das hipóteses.

Esse método parte de dois pressupostos: que determinadas causas produzem sempre os mesmos efeitos (preservadas as condições de observação), e que a verdade observada nas situações investigadas vale para toda situação universal correspondente. O determinismo inerente ao pensamento indutivo faz com que ele não seja necessariamente ideal para qualquer circunstância.

Método Dedutivo

Parte de leis gerais para explicar fenômenos particulares. O exercício metódico da dedução parte de enunciados gerais (leis universais), que constituem as premissas do pensamento racional, e chega a conclusões por dedução. Formulam-se premissas e regras de conclusão que se denominam demonstração.

Para que a conclusão seja considerada verdadeira, estabelece-se como condição que todas as premissas sejam verdadeiras, e que a verdade da conclusão já estivesse implícita nelas — nesse caso, a conclusão seria falsa se qualquer uma das premissas fosse falsa. A função do método dedutivo é, nesse sentido, explicar o conteúdo de suas próprias premissas, consideradas universais.

Método Hipotético-Dedutivo

Propõe usar o método dedutivo para testar hipóteses: partimos de hipóteses consideradas verdades provisórias sobre os fenômenos estudados, pressupondo que conseguimos reduzir teorias a fenômenos particulares que corroborarão (ou não) nossas hipóteses.

  1. Coletar expectativas e teorias já consolidadas.
  2. Formular problemas em torno de questões teóricas e empíricas.
  3. Formular uma conjectura de solução — deduzindo suas consequências na forma de proposições passíveis de teste.
  4. Tentar refutar as hipóteses sobre o problema investigado.

Método Dialético

Consiste em um modo esquemático de explicação da realidade, baseado em oposições e choques entre situações diversas ou opostas. Diferente do método causal — no qual se estabelecem relações de causa e efeito entre os fatos —, o modo dialético busca elementos conflitantes entre dois ou mais fatos para explicar uma nova situação decorrente desse conflito.

Seus três elementos são:

  • Tese: uma afirmação ou situação inicialmente dada.
  • Antítese: uma oposição à tese.
  • Síntese: o resultado do conflito entre tese e antítese — uma situação nova, que carrega dentro de si elementos resultantes desse embate. A síntese então se torna uma nova tese, que contrasta com uma nova antítese, gerando uma nova síntese, em uma cadeia potencialmente infinita.

O ponto de partida do método dialético na pesquisa é a análise crítica do objeto pesquisado — encontrar as determinações que o fazem ser o que é. Uma de suas características centrais é a contextualização do problema pesquisado, respondendo a perguntas como: quem faz a pesquisa, quando, onde e para quê. As sínteses se constituem em uma relação de tensão, já que a própria realidade contém contradições.

O caminho do método: o ciclo indutivo-dedutivo parte da observação de fatos, que leva à formulação de hipóteses gerais; essas hipóteses passam por verificação, consolidando-se em leis. A partir das leis, nova formulação gera hipóteses ainda mais gerais, que passam por verificação dedutiva até se tornarem teorias; por fim, a dedução a partir de uma hipótese fecha o ciclo em um sistema teórico coerente.

Diagrama de referência

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O método científico, de forma geral, é composto por hipóteses, leis e formas de raciocínio.

Hipóteses

Uma hipótese é um pressuposto — uma tentativa de explicar o que ainda não se conhece, uma resposta possível para a pergunta de pesquisa. Pode ser elaborada a partir de diversas fontes: observação da realidade, resultados de outros estudos, derivação de outras teorias, ou mesmo a intuição do pesquisador.

Critérios para a formulação de uma boa hipótese:

  • Linguagem clara e simples: ex: "idosos dependentes de suas esposas tendem a justificar as atitudes destas como naturais".
  • Ser específica: ex: "as mulheres que cuidam de seus maridos, em sua maioria, possuem baixo status econômico".
  • Evitar expressões valorativas: como "bom", "mau", "ruim".
  • Ser coerente com uma teoria que a sustente.

Hipótese Científica

É um conjunto de argumentos e/ou explicações sobre um determinado fenômeno, que ainda não foi corroborado por experimentação. Alguns tipos:

Tipo Descrição Exemplo
Plausível Relaciona-se de forma consistente com teorias existentes —
Convalidada Apoiada em teorias conhecidas e em evidências já observadas na realidade —
Positiva Afirma a existência de uma relação "Conflitos provocam mudanças cognitivas nos participantes de discussões em grupo"
Negativa Nega a existência de uma relação "Não há perigo de contaminação com o vírus da aids pelo contágio indireto"
Condicional Depende de uma condição específica "Se não forem bem lubrificados, os motores bicombustível têm maior tendência à corrosão que os a gasolina"

Esquema da hipótese: um modelo científico relaciona uma variável dependente a uma variável independente através de uma função, \(Y = f \cdot X\), onde a função representa os parâmetros e relacionamentos internos do modelo.

Diagrama de referência

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Tipos de variáveis envolvidas em uma hipótese:

  • Independentes: introduzidas de propósito para verificar sua relação com o comportamento de outras variáveis.
  • Dependentes (ou de resposta): aquelas cujo comportamento se quer verificar em função das variáveis independentes — todo resultado obtido em um experimento é, por definição, uma variável dependente.
  • Espúrias: não são objeto do estudo, mas interferem no resultado; devem ser cuidadosamente controladas.
  • Moderadoras: auxiliam na ocorrência de determinado efeito (como as independentes), mas são consideradas secundárias.
  • Intervenientes: ampliam, diminuem ou anulam o efeito das variáveis independentes sobre as dependentes; não podem ser controladas, e são consideradas causas da variável dependente.
  • Antecedentes: são as causas do próprio problema que originou a pesquisa.

Leis Científicas

Uma lei científica é um princípio universal que conecta fenômenos, ou partes de um fenômeno. Uma teoria científica unifica várias leis — é um "guarda-chuva" que explica um conjunto de fatos aparentemente diferentes entre si.

Metodologias de Pesquisa

As seções abaixo cobrem as principais classificações e metodologias de pesquisa: pesquisa quantitativa e qualitativa (esta última incluindo pesquisa etnográfica, pesquisa participante e pesquisa-ação), estudo de caso, análise de conteúdo (técnica que examina sistematicamente o conteúdo de documentos, textos ou discursos para identificar padrões, temas e significados), pesquisa bibliográfica, documental, experimental e de campo, e pesquisa exploratória e explicativa.

De forma resumida, a pesquisa científica se classifica em quatro eixos: quanto à natureza (básica ou aplicada), quanto aos objetivos (exploratória, descritiva ou explicativa), quanto aos procedimentos (experimental, operacional ou estudo de caso) e, dentro dos procedimentos, quanto ao local (laboratório e/ou campo).

Slides originais (outline e diagrama)

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Pesquisa quanto à natureza

A pesquisa científica, quanto à natureza, se divide em Pesquisa Básica ou Fundamental — que gera conhecimentos sem finalidade imediata, mas que são posteriormente utilizados pela pesquisa aplicada — e Pesquisa Aplicada — que gera produtos, processos e conhecimentos com finalidade imediata. Ambas, em conjunto, visam à melhoria da qualidade de vida.

Diagrama de referência

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Pesquisa Básica Pesquisa Tecnológica/Aplicada
Objetivo Entender ou descobrir novos fenômenos Aplicar conhecimentos básicos já existentes
Produto Conhecimentos básicos, artigos científicos Produtos, processos e patentes; novas tecnologias
Reserva/sigilo Não é reservada — requer divulgação dos conhecimentos Pode ou não ser reservada
Papel Fundamental para obtenção de conhecimentos elementares Utiliza conhecimentos básicos, tecnológicos e tecnologias (inclusive de outras áreas) para gerar novos produtos

Pesquisa quanto aos objetivos

  • Pesquisa Exploratória: visa descobrir teorias e práticas que modificarão as existentes, criar maior familiaridade com os fenômenos e obter inovações tecnológicas. Normalmente exige experimentações, que acarretam achados e elucidações de fenômenos; quase sempre é feita por levantamento bibliográfico, entrevistas, pesquisas na web etc.
  • Pesquisa Descritiva: tipicamente acontece após a exploratória. Objetiva observar, registrar e analisar os fenômenos (com que frequência acontecem, que estrutura têm, como funcionam), implicando na realização de observação sistemática e não participante.
  • Pesquisa Explicativa: visa ampliar generalizações, definir leis, estruturar e definir modelos, e relacionar hipóteses existentes — gerando novas, via dedução. Exige maior investimento em síntese, teorização e reflexão sobre o objeto, explicando os "porquês"; exige aplicação de métodos de modelagem e simulação para reproduzir fenômenos, e utiliza amplamente estudos de caso.

Pesquisa quanto aos procedimentos

  • Pesquisa Experimental: viabiliza novas descobertas — materiais, componentes, métodos, técnicas — sendo usada para obter novos conhecimentos e protótipos. Requer manipulação e coleta de dados imparcial; experimentar significa elaborar e formular novos elementos, testar materiais e componentes, simular eventos, inferir e introduzir variáveis, e realizar modelagens.
  • Pesquisa Operacional: investigação sistemática dos processos de produção, usando ferramentas estatísticas e métodos matemáticos, visando selecionar os meios de produção comparando custos, eficiência e valores.
  • Estudo de Caso: possibilita explicar um sistema em seu ambiente natural; um "caso" pode ser uma decisão, um programa ou um processo de implantação.

Pesquisa segundo as fontes de informação

  • Pesquisa de Campo: observa o lugar natural onde ocorrem os fenômenos.
  • Pesquisa de Laboratório: artificializa a produção do fato — ou de sua leitura.
  • Bibliografia: deve encabeçar qualquer processo de busca que se inicie.

Pesquisa Científica

O objetivo principal da pesquisa científica é contribuir para a evolução do conhecimento humano em todos os setores. Ela deve seguir normas metodológicas consagradas pela ciência — ser sistematicamente planejada e executada segundo critérios rigorosos de processamento das informações, e empregar técnicas especializadas de verificação, interpretação e inferência da realidade.

Fases da pesquisa científica

1. Estabelecimento do problema

Escolha do assunto: selecionar o tema e delimitar a extensão da pesquisa, em termos de tempo e abrangência.

Formulação do problema: pode ser descritiva ("quais as propriedades e características do assunto?") ou explicativa ("como o problema será tratado? por dedução ou indução? como procederá a análise dos fatos e as demonstrações?").

Pesquisa bibliográfica: o levantamento da bibliografia referente ao tema escolhido — um passo decisivo em qualquer pesquisa científica, que elimina a possibilidade de se perder tempo investigando o que já foi solucionado. Suas etapas são:

  1. Identificação dos itens bibliográficos de interesse — onde encontrar material relevante.
  2. Seleção: como escolher o material a ser usado; os documentos selecionados devem ser confiáveis.
  3. Fichamento: transcrição dos dados de interesse em fichas (em papel ou digitalizadas), para posterior consulta e referência, registrando as informações do levantamento bibliográfico.
  4. Redação da revisão bibliográfica: análise e interpretação do que foi lido, resultando em um texto/resumo.

Tipos de textos científicos

Cientistas precisam escrever para apresentar o resultado de suas pesquisas, obedecendo a normas pré-estabelecidas.

  • Artigos científicos e papers: apresentam uma síntese do conhecimento ou abordagens atuais, ou temas novos — uma avaliação e/ou interpretação de descobertas. São escritos na primeira pessoa do plural, ou de forma impessoal. Possuem cabeçalho (título, autor, local de trabalho etc.), sinopse (resumo e/ou abstract), corpo do artigo (introdução, desenvolvimento e conclusão) e parte referencial (referências bibliográficas, apêndices, anexos, agradecimentos).
  • Comunicação científica, informe científico, resenha crítica.
    • TCC: consiste em uma revisão bibliográfica restrita, com o objetivo principal de assimilação de conteúdo.
    • Dissertação: mais aprofundada que o TCC (é o relato de pesquisa exigido para obtenção do grau de mestre), com objetivo principal de refletir sobre o tema, e com revisão bibliográfica mais abrangente e profunda.

    Monografia científica: dissertação que trata de um assunto particular de forma sistemática e completa, relatando um estudo sobre um tema específico e seguindo um formato pré-estabelecido. Engloba o TCC, a dissertação (mestrado) e a tese (doutorado) — o que diferencia cada um é o tipo e o nível da pesquisa realizada e relatada:

    Estrutura típica de uma monografia:

    • Capa.
    • Elementos pré-textuais: página de rosto, dedicatória, agradecimentos, resumo, sumário, lista de ilustrações, abreviaturas e siglas.
    • Sequência principal: introdução, revisão bibliográfica, desenvolvimento e conclusão — cada capítulo deve incluir referências à bibliografia consultada sobre o assunto daquele capítulo.
      • Introdução: justificativa (motivação e relevância do trabalho, objetivo e escopo da pesquisa, apresentação sintética da questão solucionada, metodologia utilizada), referências a publicações do próprio autor sobre o assunto, e um parágrafo descrevendo o conteúdo do restante do documento.
      • Revisão bibliográfica: resultado da pesquisa bibliográfica sobre o tema, contendo uma análise crítica sobre o estado da arte.
      • Desenvolvimento (um ou mais capítulos): informação nova (o trabalho desenvolvido pelo autor), exposição dos fundamentos (argumentos), discussão (apresentação dos contra-argumentos) e demonstração (apresentação de provas, demonstração do raciocínio).
      • Conclusão: síntese das ideias defendidas, retomando as pré-conclusões expostas ao longo do texto e reforçando a linha de pensamento que sustenta a monografia — a introdução aponta problemas, e a conclusão sintetiza a postura do autor diante deles.
    • Elementos pós-textuais: apêndices (texto escrito pelo próprio autor, mas não central ao trabalho), anexos (textos de terceiros relacionados ao tema), bibliografia, índice onomástico (lista dos autores citados, com indicação das páginas) e índice remissivo (lista dos termos do texto, com indicação das páginas).
  • APUD: termo latino que, em textos acadêmicos, significa "citado por", "conforme" ou "segundo". É usado para indicar uma citação direta (cópia literal) ou indireta (texto reescrito) de um texto ao qual não se tem acesso direto — aparece no rótulo de uma referência bibliográfica para indicar uma "citação de citação".

Redação do plano de pesquisa: etapa final do estabelecimento do problema.

2. Organização da pesquisa

Formulação de hipóteses, descrição do método empregado, e definição do corpus (dados da pesquisa).

3. Execução da pesquisa de campo

Elaboração do plano de trabalho, coleta de dados, e análise dos resultados obtidos.

4. Redação dos resultados

Redação preliminar, revisão gramatical e de conteúdo, redação final, e bibliografia.

Projetos de Pesquisa

Processo de pesquisa

  1. Projeto: o que vai ser feito, qual problema vai solucionar, quais hipóteses se tem.
  2. Coleta de dados: como fazer, que tipos de dados são necessários.
  3. Análise dos dados: classificação e organização das informações, estabelecimento de relações entre os dados, tratamento estatístico.
  4. Elaboração da escrita.

Objetivos

Objetivos são os resultados a alcançar. O objetivo geral (ou final) responde diretamente ao problema de pesquisa, enquanto os objetivos específicos operacionalizam o modo como se pretende atingi-lo — eles são as etapas que devem ser cumpridas para chegar ao objetivo geral. Objetivos devem ser redigidos com o verbo no infinitivo.

A redação de objetivos específicos costuma seguir uma hierarquia de níveis cognitivos, cada um associado a um conjunto de verbos:

Nível cognitivo Descrição Verbos típicos
Conhecimento Retenção da informação apropriada definir, identificar, nomear, listar, descrever, enumerar, distinguir, especificar
Compreensão Translação, interpretação e extrapolação distinguir, explicar, predizer, discutir, ilustrar, converter, relacionar, deduzir
Aplicação Utilização dos conteúdos apreendidos nos níveis anteriores aplicar, resolver, construir, calcular, praticar, operar, manipular
Análise Decompor em partes para entender a estrutura analisar, distinguir, identificar, diferenciar, categorizar, comparar, examinar, inferir
Síntese Combinar as partes para formar um todo original escrever, propor, combinar, criar, compilar, organizar, formular, conceber, projetar
Avaliação Julgar o valor de um conteúdo julgar, apreciar, comparar, concluir, avaliar, validar, justificar, fundamentar

Referencial Teórico

É a construção de um quadro de referência ligado ao problema de pesquisa, do qual o pesquisador extrai subsídios para definir com mais clareza os aspectos a serem levantados em campo. Trata-se da construção de uma base conceitual organizada e sistematizada do conhecimento disponível pertinente ao objeto pesquisado — buscam-se teorias, abordagens e estudos que permitam compreender o fenômeno de múltiplas perspectivas, e o papel do pesquisador é promover um diálogo entre diferentes autores.

O referencial teórico funciona como a base de sustentação do trabalho (teoria de base e definições), reflete o nível de conhecimento do autor, familiariza o leitor com trabalhos correlatos, e ajuda a comprovar a originalidade do trabalho.

Revisões de Literatura

Uma revisão é o processo de busca (sistemática ou não), análise e síntese de um corpo de conhecimento — delimitado de várias formas — relacionado à resposta de uma pergunta específica. "Literatura" cobre todo o material escrito sobre o tema, em diversos veículos.

A revisão de literatura serve para conhecer o que já existe, identificar oportunidades de pesquisa, não reinventar a roda, e mostrar ao leitor a originalidade do trabalho. Mais especificamente, ela permite:

  • Delimitar o problema da pesquisa.
  • Buscar novas linhas para pesquisa.
  • Evitar abordagens mal sucedidas.
  • Obter insights metodológicos.
  • Identificar recomendações de outros pesquisadores.
  • Buscar suporte na teoria já amadurecida.
  • Distinguir o que foi feito daquilo que precisa ser feito.
  • Descobrir variáveis importantes e relevantes.
  • Sintetizar e obter uma nova perspectiva.
  • Identificar relações entre ideias e práticas.
  • Adquirir e melhorar o vocabulário associado ao assunto.
  • Entender a estrutura do assunto.
  • Relacionar ideias e teorias às aplicações.
  • Identificar as principais técnicas e metodologias de pesquisa que estão sendo utilizadas.
  • Inserir o pesquisador no contexto histórico, para mostrar familiaridade com o estado da arte.
Slides originais

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Tipos de revisão

Tipo O que é Melhor para Rigor
Narrativa Descrição ampla e aprofundada do desenvolvimento e estado da arte de um tema, influenciada pela visão e expertise do autor Fundamentação teórica de TCCs, dissertações e teses; artigos de opinião ou atualização rápida Subjetiva — maior risco de viés de seleção (o autor escolhe os estudos que mais lhe interessam)
Sistemática O tipo mais rigoroso, no topo da hierarquia de evidências; busca minimizar o viés e fornecer a melhor evidência disponível Responder questões clínicas/científicas específicas (eficácia, diagnóstico, prognóstico) e basear decisões em saúde e políticas públicas Protocolo registrado (ex: PROSPERO); busca exaustiva, explícita e replicável; inclusão geralmente restrita a estudos primários do mesmo delineamento; pode incluir meta-análise
De Escopo (Mapeamento) Mapeia rapidamente e categoriza as evidências para identificar tipos de estudos, conceitos e fontes sobre um tema mais amplo, sem necessariamente avaliar a qualidade da evidência Determinar o escopo e a natureza de uma área de pesquisa, identificar lacunas, decidir se uma revisão sistemática completa é viável Pergunta mais ampla que a sistemática; não costuma avaliar o risco de viés dos estudos
Integrativa Permite a síntese de pesquisas com diferentes metodologias (quantitativas e qualitativas) e/ou tipos de estudos (empíricos e teóricos) Áreas onde o conhecimento é fragmentado em diferentes abordagens metodológicas (comum em Enfermagem e Ciências Sociais); definir conceitos, revisar teorias Usa um método sistemático, mas a inclusão de diversos delineamentos pode afetar o rigor ou a comparabilidade da síntese

Processo da revisão sistemática: pergunta específica (formulada em PICO) → protocolo → busca sistemática → seleção de estudos por dois revisores independentes → avaliação do risco de viés → síntese/meta-análise. Esse processo se organiza em três grandes fases:

Planejando a Revisão Conduzindo a Revisão Escrevendo a Revisão
Estudo de Viabilidade Buscar Estudos Primários Escrevendo o Documento
Definir Questões de Pesquisa Selecionar Estudos Primários Validando o Documento
Escrever o Protocolo da Revisão Avaliar a Qualidade dos Estudos
Validar o Protocolo da Revisão Extração dos Dados
Síntese dos Dados
Diagrama de referência

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Processo da revisão de escopo: pergunta ampla → protocolo recomendado (ex: PRISMA-ScR) → busca → mapeamento/categorização dos dados → relatório descritivo.

Processo da revisão integrativa: pergunta (problema/prática) → busca sistemática → seleção de estudos → extração de dados → avaliação da qualidade (opcional, mas recomendada) → síntese e discussão.

Definindo uma questão de pesquisa

Antes de revisar a literatura, é preciso definir uma questão de pesquisa: primeiro identifica-se o tema, depois uma dificuldade sem solução na literatura. O problema deve relacionar pelo menos duas variáveis (dependente e independente), e deve ser empiricamente verificável.

Categoria Exemplos de perguntas
Exploratórias — existenciais "X existe?"
Exploratórias — descritivas/classificatórias "Como X é?", "Quais são suas propriedades?", "Como pode ser categorizado?", "Como pode ser medido?", "Quais são seus componentes?", "Quais são todos os tipos de X?"
Exploratórias — comparativas "Como X é diferente de Y?"
Base-rate — frequência "Quão frequentemente X ocorre?", "Qual é a quantidade média de X?"
Base-rate — processo-descritiva "Como X normalmente funciona?", "Qual é o processo pelo qual X acontece?", "Em qual sequência os eventos de X ocorrem?"
Relacionais "X e Y são relacionadas?", "Ocorrências de X correlacionam com ocorrências de Y?"
Causais — causalidade "X causa Y?", "X impede Y?", "O que causa Y?", "Qual efeito X tem sobre Y?"
Causais — comparação "X causa Y mais do que Z?", "X é melhor em impedir Y do que Z?"
Causais — comparação-interação "X ou Z causa mais Y em uma condição e não em outras?"
Design "Qual é uma forma efetiva de realizar X?", "Quais estratégias ajudam a alcançar X?"

Ferramentas de apoio

Ferramentas como StArt e Parsifal ajudam a sistematizar e documentar o processo de revisão de literatura (especialmente a sistemática), gerenciando a seleção e triagem de estudos.

Como sistematizar a pesquisa bibliográfica

  1. Listar os títulos de periódicos e eventos relevantes ao tema, mais os periódicos gerais em computação que eventualmente possam ter algum artigo na área.
  2. Obter a lista de todos os artigos publicados nos últimos cinco anos (ou mais) nesses veículos.
  3. Selecionar, dessa lista, os títulos relacionados ao tema de pesquisa.
  4. Ler o abstract desses artigos e, com base na leitura, classificá-los como relevância "alta", "média" ou "baixa".
  5. Ler os artigos de alta relevância e fazer fichas de leitura, anotando os principais conceitos e ideias aprendidos — anotando também outros títulos possivelmente mencionados nas bibliografias (mesmo que com mais de cinco anos), incluindo-os na lista de leitura.
  6. Dependendo do caso, ler também os artigos de relevância média e baixa — mas sempre começando pelos de alta relevância.

Erros comuns em revisões de literatura

  • Não relatar claramente o que foi encontrado na literatura sobre o estudo do pesquisador.
  • Não ter tempo suficiente para descrever as melhores fontes usadas na revisão.
  • Utilizar fontes secundárias ao invés de fontes primárias.
  • Não examinar criticamente todos os aspectos do projeto e da análise da pesquisa.
  • Não reportar os procedimentos utilizados na revisão bibliográfica.
  • Reportar resultados estatísticos isolados, em vez de sintetizá-los por métodos de qui-quadrado ou meta-analíticos.
  • Não considerar pesquisas contrárias e interpretações alternativas.

Pesquisa

A pesquisa é uma ferramenta para gerar inovação, criar novos artefatos, explorar o desconhecido e entender sistemas. É uma ferramenta sistemática para obtenção de novos conhecimentos, enquanto o desenvolvimento é a aplicação desse conhecimento já existente. Toda pesquisa começa com ideias que buscam resolver problemas, trazer conhecimento ou gerar novas questões — e as fontes dessas ideias são variadas: experiências, bibliografias, teorias, observação, crenças, intuições e conversas.

Definição do problema

  • Problemas práticos: causam desconforto e são resolvidos por uma ação que muda o mundo.
  • Problemas de pesquisa: são resolvidos por uma compreensão melhor dos fatos.

Um problema de pesquisa deve ter formulação clara, precisa e viável, composto por duas partes essenciais: a definição do problema (a pergunta a ser respondida) e a hipótese de pesquisa (o resultado esperado, ou a possível resposta).

Questão de pesquisa

A questão de pesquisa é o refinamento do problema: deve ser precisa, não pode ser óbvia, e precisa atender a certos requisitos — suas respostas não devem ser previamente conhecidas, devem ter evidência empírica, e a busca por elas deve usar meios éticos.

Ela pode ser, assim como visto acima: exploratória (ex: "X existe?", "Como X é?"), relacional (ex: "X e Y são relacionadas?"), causal (ex: "X causa Y?", "O que causa Y?") ou de design (ex: "Qual é uma forma efetiva de realizar X?").

Pesquisa Qualitativa

Abordagem que foca nos "porquês", buscando compreender fenômenos humanos e sociais através de significados, motivações e experiências. Costuma exigir mais tempo em campo, mais análise de dados e planejamento, procedimentos rigorosos de coleta, e o uso de perguntas abertas e de uma variedade de fontes de dados.

Principais métodos:

  • Entrevistas semiestruturadas: conversas guiadas por um roteiro flexível, para explorar percepções e experiências.
  • Pesquisa-ação: busca resolver um problema identificado em conjunto com os participantes, envolvendo grande interação e vários ciclos.
  • Grupos focais: reunião de 5 a 10 participantes para discutir um tema específico, conduzida por um moderador.
  • Observação participante / Etnografia: o pesquisador observa (e às vezes participa) do grupo estudado — podendo ser plena (participação ativa), parcial (algum distanciamento) ou não participante (apenas observa). A etnografia, especificamente, busca entender tradições, costumes e hábitos, exigindo convívio próximo e longo tempo em campo.
  • Estudo de Caso: exploração detalhada de um único caso (ou poucos casos), como uma organização ou fenômeno social.
  • Fenomenologia: utiliza entrevistas para entender a essência das experiências, e o significado que as pessoas atribuem a elas.
  • Teoria Fundamentada (Grounded Theory): desenvolve teorias a partir da coleta e análise sistemática dos dados qualitativos.
  • Narrativa: explora as histórias de vida dos participantes, para entender como eles constroem significado a partir de suas experiências.
  • Diários e auto-relatos: registros reflexivos e contínuos de experiências, úteis para estudos de aprendizado ou hábitos.

Pesquisa Quantitativa

Concentra-se em dados concretos que podem ser medidos e quantificados, utilizando com frequência números e estatísticas para analisar e generalizar os resultados.

Questões Éticas da Pesquisa

  • Obter aprovação de comitês de ética.
  • Revelar os propósitos do estudo aos participantes.
  • Ser imparcial.
  • Ter cuidado com a coleta de dados, com os resultados obtidos, e com a publicação do estudo.